sexta-feira, 2 de julho de 2010

Mensagem Subliminar

Ainda me lembro do voo daquele anjo sobre mim.
Me dizendo que me queria pairar ali, como fosse eu a doce lembrança de seus viveres.
Deixei que viesse vestido de prosa e com face de poesia e procurei aquele anjo que velava meu sono de todas as noites. Sabia eu que ali estava ele, por todas as manhãs de sol enuvencido ou de chuva ensolarada.
Sem precisar de palavras me dizia que era pra sempre. "sem saber, que pra sempre, sempre acaba".
Aprendi então que precisava voar.
Voar para que pudesse ensinar àquele anjo loiro de olhos de pedra, o dom que era dele.
Levando-o para longe.Antes que o presente maculasse as penas pálidas que o faziam brilhar no pretérito.
E então foi-se o anjo que deixou tanto de sí. Deixou pelo caminho algumas penas que juntei ao peito.

GanheiOBrilhoDele.

Ele disse que eu não podia brilhar menos que aquelas penas. Pois senão teria sido vã a perpétua escolha de ser menor, por mim.
Por mim.
PoR MIm.

Guardei todas as memórias no armário de faz-de-contas e só as visitava de quando em vez, quando um humano tentava ser anjo pra mim.
Anjo loiro de olhos de pedra.
Eram memórias que como fossem mensagens subliminares.
Que apenas o dom que herdei poderia interpretar.
E interpretei.
Todos e cada um dos anjos. Sabia sim qual estrela me faria lembrá-lo.
Até que então as penas guardadas se esvairam, se esvaziaram. De resto, só o cheiro e a forma..
Daí então, venho contradizendo o penso e sinto.
E digo nada daquilo que quero, que espero.
Na busca por tudo que o anjo ensinou pra mim.Eu DEIXEI IR.

Que voltem as penaspálidas deixadas no caminho; que eu saiba montar com elas o meu castelo de vidro (que seja).E que sobre apenas uma delas, que eu,
QUERUBIM
entregarei para esse humano ainda nem um pouco anjo, nem um pouco pena, nem um pouco aprendiz, nem um pouco querubim
e ele voará de leve para estrela que eu ainda ei de descobrir.

Mas não se preocupe em cair, eu ainda posso amparar. Te dou mais uma pena, ou esse humano, agora já querubim, entregue para mim uma nova caixa de memórias e mensagens subliminares.

De Vênus

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